“As notícias cada vez mais vão ao usuário …

… e não o usuário à notícia” (SCHIMITT, OLIVEIRA, 2009 apud ANDERSON, 2006; THE STATE, 2005)

Em pesquisas acadêmicas a personalização já difere do conceito da customização do conteúdo. No mesmo sentido que os objetos de consumo – é tendência com tênis, por exemplo - customizar seria adaptar o visual ao seu gosto, deixar com a “cara” do proprietário. A preferência é dada pelo usuário, que opta pela cor, textura, fonte, layout, etc, até a recepção de editorias por e-mail. A customização, no dia a dia, é estratégia de diferenciação,  ferramenta alternativa de expressão e manifestação artística. No viés da notícia, serveria de leveza ao suporte, um tranquilizante visual e/ou link práico àquele acesso diário, cansativo, obrigatório.

Potencializando e complementado a lógica, a personalização remete à tecnologia. Em Personalização de notícias – uma edição de jornal para cada leitor, os autores destacam:

Jones (2003), editor da Encyclopedia of New Media, menciona que na personalização a interação entre empresas e consumidores é alterada, ou personalizada, para se ajustar às preferências dos usuários, oferecidas voluntariamente por eles ou coletadas “silenciosamente” pelas empresas através do registro e da análise do comportamento do usuário durante a navegação.

A personalização é costumeiramente difundida no cibernegócios e ainda funciona como agente diferenciador.  A Amazon, lá por 1999, investiu nesse viés estratégico e despertou o mercado para a importância sobre o assunto. A ideia é antecipar as necessidades do usuário, a partir da investigação sobre a navegação individualizada, para constatar quais são os seus caminhos e preferências. 

O jornalismo caminha com vontade para a mesma direção, seguindo as previsões dos teóricos acadêmicos, certos de que o modelo de acesso à informação deverá ser moldado aos – e pelos - assuntos de interesse do leitor, possibilitado com o avanço tecnológico e pelos sistemas de recomendação.

 

Percepções Iniciais

 De Personalização de notícia – um edição de jornal para cada leitor.     Autores: Valdenise Schmitt e Leonardo Gomes de Oliveira 

Neste contexto, a quantidade de informação disponível, vista até então como um bem valioso, agora limita seu valor e demanda por abordagens personalizadas de acesso a informação para que se consiga encontrar notícias interessantes e relevantes dentro de sites jornalísticos que constantemente atualizam notícias e apresentam novas notícias (GAUCH at al., 2007; BILLSUS; PAZZANI, 2007).

É interessante perceber a influência das redes sociais na personalização de notícias, pressupondo-a indireta. Sob o gancho da quantidade de informação lançadas - a cada hora, minutos, segundos – no ambiente online, a filtragem estabelecida pelos blogs e twitters contribuem na averiguação do que é e por quem se consome notícia. Pois bem, observo que as mídias tradicionais não concorrem atenção com as redes sociais, em se tratando de acesso a informação, mas sim na priorização que tais redes lhe possibilitam linkagens e/ou seguidores. Estas movimentações funcionam como trampolim para o contato direto com a informação.

O blog

Foi lendo o texto de Arturo Merayo Pérez, cujo o título é Formación, Nuevos Contenidos y Creatividad Sonora: apuestas para un tiempo de incertidumbre tecnológica (2001), que a personalização surtiu maior efeito para mim. Até então sempre soava aquele mais (+) dentre as características redefinidas por Marcos Palácios, que vigoram no jornalismo online: hipertextualidade, multimidialidade, personalização, memória, atualização contínua e interatividade. 

Em cada uma delas há problemáticas a serem destrinchadas para o aperfeiçoamento de qualidade informativa e/ou navegabilidade. Neste blog trataremos da personalização, também chamada de customização de conteúdo, que aparece até antes, nas classificações introdutórias elaboradas pelos holandeses Jo Bardoel e Mark Deuze, quando constataram somente quatro delas:  interatividade, customização de conteúdo, hipertextualidade e multimidialidade.

Imerso neste universo, os questionamentos surgem. Mesmo numa comunicação massiva, o fato de nos direcionarmos para a editoria de política no jornal diário ou de optarmos por levantar do sofá depois da matéria do trânsito engarrafado revela a tendência do consumidor de notícia a selecionar sobre a seleção pré-elaborada. O que muda nesse comportamento? Existe a diferença entre consumo individualizado e personalizado? Como ocorre a personalização e o que ela pode acarretar? Novos formatos? Vamos tentar…